Quem sou eu

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Belo Horizonte, Minas Gerais, Brazil
Eu vivo entre asteróides. Nesses sei quem são os habitantes. Seus nomes e rostos. Sei de bons amigos e conhecidos. Inimigos eu não tenho, porque não me faz bem carregar o mau. Só aguardo o cometa mais próximo, para me levar até um conhecido que possa me desenhar um carneiro e me cativar.

15 de ago. de 2009

As perdas são assim...

Perdemos nossa casa e, então, ficamos sem saber em que posição e que lado da cama dormir, onde colocar a escova de dentes, guardar as velhas lembranças, com quem conversar... A casa nova parece uma estranha, em quem você não confia. Barulhos desconhecidos, vizinhos novos e, quase sempre, tão chatos quanto os antigos. A vaga da garagem não parece nem um pouco acolhedora e, muito menos, o síndico do prédio. E a saudade bate forte, quando deitamos na mesma cama velha, na moradia nova...

Perdemos o carro e não sabemos quantos quilômetros por litro o emprestado faz, quantas libras para calibrar os pneus, quanto da embreagem liberar sem que o carro morra. Não sabemos se podemos comer, beber e carona dar naquele automóvel que nem é seu, mas que uma criatura caridosa lhe emprestou. E sempre sentimos falta daquele velhinho mesmo, rodado, sujinho, com brinquedos espalhados por todos os cantos, com porta-luvas estragado, que sempre abre quando passamos num buraco. Aquele que nos acompanhou nos momentos mais tristes e levou para os lugares mais bonitos e inesquecíveis...

Perdemos o contato com aquele parente distante, que não vemos há anos e, assim, esquecemos do seu olhar, seu cheiro e ficamos com o peito apertado por não saber como o seu sorriso está (e se há sorriso). A dor de amar alguém distante parece ingrata, como se fosse tão fácil alcançá-los, mas não nos é permitido...

Perdemos parentes e amigos para a morte, perda dolorosa... Que nos faz sentir aquele velho nó na garganta, uma vontade de chorar a qualquer hora, em qualquer lugar e, então, ficamos sem rumo, sem sonhos, sem ânimo.. o luto nos acompanha em cada esquina, parece nos consumir toda a energia e a tristeza fica escancarada no rosto bege e inconsolável...

Perdemos família... e questionamos se um dia uma nova irá se formar. Aquela, agora, existe incompleta e sempre haverá de ser. Agora, novas se formam, com pessoas estranhas, mas que devemos acolher seja por respeito, gostar ou suportar. Parecem intrusos que só querem destruir nossas esperanças ou nossas boas lembranças... e assim eles o fazem...

Perdemos amigos.. aqueles que acreditávamos ser tão leais, mas nos abandonam quando deles mais precisamos. Amigos ingratos, superficiais e covardes. Então, cada novo parece nos trazer a amarga dúvida da confiança, para quem contar, com quem chorar. Sorrir junto é fácil...

As pessoas mudam com as horas... a vida, com os minutos... Por isso, às vezes, é difícil suportar e aceitar cada mudança. Elas são repentinas, passam por nós como furacões, sem pedir licença, por favor ou dizer adeus. E, assim, devemos viver com escudos, armaduras e elmos, para que a cada nova experiência o coração tenha tempo de se resguardar do que machuca e ocorre aqui fora...

Um comentário:

  1. Camila adoro suas histórias tbm!!!
    VC me faz refletir situações,
    rever meus contextos e afirmar com
    as suas palavras o que é a verdadeira
    vida.Abraços Pedro !!!!

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