Tenho um coração enorme, que bate num peito vazio e num corpo só...
Uma carência fruto de uma infância cercada de tanto amor
Como apagar do coração as marcas de quem já foi tão amada...
Boa noite, durma com Deus, minha filha...
Sonhe com os anjos, irmãs...
Um quarto aconchegante, cama encostada na parede coberta de figurinhas,
Para não sentir um vazio nas costas...
O corredor, ali ao lado, caminho para o seguro...
Por vezes, gritos, palavras feias, neblina...
E eu tinha o colo das minhas outras mães
Num quarto pequeno, escuro, mas que era tão meu, quanto o outro...
Pesadelo no meio da noite...
Medo do que não existe,
Mas os braços de quentes abraços
Me afagavam os cabelos, até o medo dormir
Criança...
Cujo melhor amigo era um escritor de livros...
E bichos de pelúcia, companheiros de um mundo imaginário
Bonito, seguro, amado
Sinto falta das minhas pelúcias...
Do quarto escuro onde eu me sentia em casa...
E da inocência de acreditar numa amizade platônica
Do afago no meio do pesadelo...
O corredor continua perto...
Mas me leva para cômodos vazios e frios
Onde estão meus abraços...
Boa noite, amor...
Durma com Deus e sonhe com os anjos...

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