Depois de dias sem escrever, volto ao meu Blog, para agradecer novamente tanto apoio e crítica (!) e prestar esclarecimento aos meus queridos 5 leitores, sobre minha ausência.
Após uma tranquila viagem de volta, na serena poltrona 17, cheguei em Belo Horizonte e fiquei transtornada (sem exageros).
Minha irmã trouxe-me em casa sem grandes tragédias, até eu perceber que ela não havia calibrado os pneus do meu carro, assim como eu pedi, com todo o carinho e doçura de irmã mais nova que possuo, por natureza. Segundo ela, por natureza, irmãs mais velhas têm ocupações demais para se preocupar com os carros das outras que, portanto, à distância, devem arrumar um modo telepático, acredito eu, de calibrar o pneu que insiste em esvaziar.
Assim, subi para meu apartamento, feliz por ter chegado em casa, que sempre é bom, até lembrar de uma frase que criei na última longa viagem que fiz - Home Sweet Mess-.
Não que minha casa seja uma bagunça, mas chegar após um período de tempo prolongado é sempre conflituoso. É como se ela descontasse em mim toda a carência que sentiu o tempo em que fiquei fora. Ora! Quem sou eu para deixar aquela cama desocupada e sem as pipocas espalhadas que me fazem cosquinha, na hora de dormir?! E sem regar as plantas?! Que criatura maléfica sou eu ! E a cozinha, então?!!! Odeia-me mais do que qualquer outro cômodo, pois ficar sem esquentar o fogão ou dar à toneira o prazer de sentir a águinha gelada passar pelos seus tubos é muita maldade.
Ficar sem abrir a geladeira por 15 dias... Ah! É.. Um pânico!! Um desespero!! Sempre sai algo dali que me envenena pela semana seguinte, não por alimentação, claro, mas pelo simples olfato ou visão. Porque abrir a porta daquele simples eletrodoméstico depois de dias de ausência, mesmo tendo deixado ali apenas os alimentos que eu acreditava que não iam estragar, é sempre um dano à camada de ozônio ou aos meus olhos. Sempre fica aquela latinha de ervilha aberta que esqueço atrás do pote da margarina light e não vi, porque saí com pressa, pelo motivo já explicitado no texto "A Poltrona 43". E o continente e conteúdo foram tomados por uma devastadora camada de microorganismos que, provavelmente, sei o nome, mas não quis pensar e só quis eliminar, urgentemente, da minha querida geladeira. Depois de retirar o nocivo de casa, colocar a roupa suja para lavar e perceber que não tinha limpa para usar, precisei pensar numa estratégia para retirar meu carro da garagem, pois meu macaco não funciona e meu pneu, definitivamente, não rodava naquele estado.
Minha irmã mais velha esqueceu que as pessoas de seu cargo devem honrar com certas obrigações, como emprestar o carro para as caçulas quando não calibram o pneu destas, mas rapidamente foi lembrada e convencida desse mandamento de irmandade. Com isso, saí de casa satisfeita por poder rodar pelo bairro novamente até perceber que houve um assassinato nele. E dos trágicos, com muito sangue e lágrima. Antes da minha viagem, havia uma placa a poucos quateirões do meu prédio: "Revitalização da Praça José Cavallini" e então, volto de viagem e percebo que não há placa e, sim, um outdoor daqueles iluminados, a la Stephen King: "Assassinato da Praça José Cavallini".
Onde foi parar a praça?!!! Eu pergunto à BH Trans: Onde foi parar a Praça? Porque depois de dias circulando por ali, percebi que ainda há uma mini placa com o escrito da suposta revitalização. Além de nos empregar inúmeras multas absurdas por dia, ainda derrubam a pequena praça do meu bairro?! Onde estaciono todos os dias para comprar o pão na padaria, pagar as contas na Loteria e alugar 4 filmes e pagar 3, na locadora?!! Onde paro o carro agora?! E onde mais verei o célebre busto de José Cavallini?! Faça-me o favor!
Incrível como em quinze dias, uma prestadora de serviços milionária, que trabalha para a prefeitura, pode destruir uma praça e a única lembrança que tenho de um homem que nem sei quem foi, mas estava ali, todos os dias.
Na verdade, não interessa contar como terminou a história do carro, porque até hoje não acabou. Minha roda do step ainda está com o borracheiro -acredito eu-, pois não tive tempo de passar lá essa semana.
Biel voltou de viagem um pouco mais enegrecido, pelos raios UV da praia e de uma forma maravilhosa que só meus olhos vêem e lindo, como acredito que todos os outros com bons gostos vêem.
Mas confesso que voltar para casa é conflituoso. É bom estar em minha cidade e saber andar por aqui -menos nos cruzamentos que criaram no lugar da praça- e ter um supermercado diversificado e com biscoitos que não têm nome de mulher e leites nomes de fazenda. Porém, estar em Belo Horizonte é relembrar da conta do telefone que chega logo no início do mês; da geladeira que, após da eliminação, encontra-se totalmente privada de qualquer alimento; é olhar para a poeira acumulada do chão e não poder ignorá-la e, enfim, é perceber que o Brasil está submerso na paranóia suína que a Globo criou!!
Nova função do Jornal Nacional: contagem de mortos. O que importa é criar pânico! E o país é liderado por uma pessoa tão culta e que sabe o valor da educação, que seu Ministério da Saúde sugere que as Escolas, Universidades e Pagou-Entrou adiem as aulas, para evitarmos transmissão do vírus. Para onde podemos ir, pergunto eu, uma cidadã sem praça. Para o bar, claro. Ou, então, para o cinema, shoppings, clubes, exposição no interior. Será que o Presidente acredita que vamos ficar em casa contando, junto com o casal maravilha, o número de mortos?! Não, obrigada. Eu prefiro o calor de me aglomerar com as pessoas em todos esses locais em que fico muito mais exposta à transmissão e não aprendo nada, a não ser o endereço do bar mais barato, o novo pulo na piscina da criançada, a nova música de sucesso que toca na rádio que eu nunca escuto. Mas, colega Lula, vamos combinar, acabou o kindergarden e as férias também, se Dona Marisa ainda não lhe informou. Deixe que o povo estude, pelo menos enquanto há escola para-quase todos. Na Faculdade, certamente, correrei riscos, mas, inacreditavelmente falando, já deu, né?! Porque engolir o slogan: "Pare a Educação! O resto, deixe! " É demais... Há pessoas que gostam de estudar nesse país. E o povo agradece... com C e não Ç.
No mais, é isso. Termino aqui outro texto gigante em que a maioria dos leitores fica pela metade, feliz por ter escrito e ansiosa pelos resultados dos meus exames de amanhã, que indicarão se tenho uma doença grave ou não. :) Sem suínos no meio.
Obs.: E ninguém lembra mais do Michael Jackson. Ele morreu do quê, afinal?!

Camila, doce menina escrevinhadora. Eu ainda me lembro todo dia de Michael Jackson Ele morreu de ataque cardíaco. Delicioso seu texto. Dom de observação refinado, apurado senso de humor e ironia fina. A psique das irmãs - a mais velha e a caçula-, a rebelião da casa abandonada, a vingança dos eltrodomésticos, o sumiço da praça, o casal nacional, a contagem dos mortos, a porcaria de governo e suas decisões sanitárias e o bar e os shoppings como alternativa à paranóia suína são achados de originalidade exclusivos de quem tem imaginação e sabe escrever. Só se aprende a escrever lendo e escrevendo. Leia muito e sempre (re)leia o que você escrever. Tudo o que sobra não faz falta. Leia o seu texto em voz alta, o som vai lhe dar a noção do ritmo. Se soar bonito, está bom. Você é linda.
ResponderExcluirtia Mírian
Nossa!!! Eu amo suas histórias... melhor dizendo: seus relatos. Descobri seu blog por acaso, e não por acaso retorno sempre. Sou Jornalista e amo seus escritos longos.
ResponderExcluirAh! Coincidentemente descobri que você é amiga de dois amigos meus: O Gustavo Felício e o Bruno Henrique. Que legal!
Enfim, parabéns e continue escrevendo. Agora são 6 leitores então, ok? Rs
Beijos
Continuo acompanhando... e tb adooooro as histórias longas!
ResponderExcluirParabéns Cá! Delícia demais ler os seus textos!
Paty (PatyTuti)