De acordo com minha irmã mais velha, sou uma borboleta feliz, ou melhor, uma lebre saltitante, que consegue enxergar a beleza nas coisas mais simples. Isso é brega, mas realmente sou assim...
De acordo com minha irmã do meio, sou estranha - o que ela não soube explicar exatamente - e sou uma sonhadora, que gostaria de ter nascido pelo menos 3 décadas antes do que nasci. Ela também está certa. Eu queria ter ido ao Woodstock e ter vivido a maravilha dos anos 60. Ah! Mary ainda revelou esses dias que me acha uma palhaça. Engraçado isso, porque meu humor é negro e irônico a maior parte do tempo e é ela quem me faz rir com um papo esquisito de pessoas mais afortunadas nos EUA.
Minha mãe me acha fria. O que só é correto se pensarmos que ser fria é conseguir deixar a razão superar a emoção em determinadas situações.
Meu pai me acha inteligente e passional demais. Não é à toa que ele e minha mãe não deram certo. Divergências... Não sou tão inteligente quanto acredito que ele acha, mas sou bem esforçada. E ele está correto, se ser passional é amar o máximo possível quando estiver amando e, ainda, acreditar que sempre podemos ser mais felizes e devemos lutar por isso.
Minhas amigas e amigos me chamam de Barbie e Mãe. Bem, eles não acertam muito ao me chamar de Barbie, pois não acredito no Ken e não sou tão fútil como a boneca parece ser. Ah! Também não tenho olhos azuis e uma cintura que dá para amarrar uma gominha de cabelo ao redor. Já Mãe, é totalmente compreensível de eu ser chamada, devido à minha real condição materna e ao fato de que tenho extrema preocupação com todos que me cercam. Se você faltar aula mais de 2 dias seguidos, certamente eu te ligarei ou te perguntarei quando você aparecer em sala. Caso você esteja triste, cabisbaixo, com certeza eu irei sentar ao seu lado e perguntar o que foi. Não sou invasiva. Isso não. Geralmente, sou bem recebida, pois tenho a rara habilidade de saber escutar. E, por qualquer razão do destino, as pessoas têm o costume de vir me pedir conselhos. Aviso que não tenho muito controle sobre minha própria vida e que minhas idéias são meio estranhas. Mas digo com todo o prazer e sinceridade o que realmente acho. Por isso, se você não quer escutar a verdade, não venha até a mãe Camila.
Minhas 2 grandes amigas concordam com minha irmã mais velha. Dizem que estou sempre com um sorriso no rosto, mesmo quando sabem que passo por uma situação difícil. Mas isso não quer dizer que escondo meus sentimentos, pois sou tranparente até demais. Isso significa que não me apego aos problemas e acredito que viver lamentando o que deu errado não traz solução alguma.
Escrevi o que as pessoas que me cercam acham , porque elas estão corretas. Só sei que amo meu filho e grande parte daqueles que convivem comigo e tenho uma estranha admiração pela Lagoa da Pampulha e pelos primatas, como chimpanzés e gorilas. Esses animais têm a especial capacidade de provocar em mim sentimentos paradoxais. Acho que eles são maravilhosamente perfeitos, mas acredito que eles têm algo de triste no olhar, o que me causa uma angústia. Já refleti sobre o por quê da infelicidade deles e conclui que seria pela ignorância que Deus lhes proveu, comparados a seus irmãos mais próximos: nós. Porém, logo percebi que estava extremamente enganada. Eles são tristes por ver a nossa ignorância em administrar tão mal o mundo onde vivemos.
É Manda...você sempre esteve certa. E, ainda, vejo que, além de uma lebre saltitante, sou uma gorila....
E Viva os Elefantes!

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