É um sábado, quase meia-noite. Um vizinho realiza uma festa com luzes verdes e vermelhas e som altíssimo. Tudo isso em frente à varanda do meu quarto. Minha cabeça dói. Não só pelo som, que realmente é estrondoso e eu não entendo estar tão alto assim, mesmo depois do horário permitido. Acredito que fiquei muito ao Sol hoje cedo e estou com um choro iminente que recuso a liberar.
Resolvi não sair de casa esta noite, mas, de repente, sinto-me incomodada pela falta de companhia que me cerca. As coisas mudaram.
Poderia encontrar amigos e conversar a noite toda. Na verdade, perdi a vontade de falar. Falar é sempre relembrar. E algumas situações não devem ser nunca mais removidas de onde estão.
Já fui bem mais sonhadora. Alegro-me em pensar que isso possa ser maturidade, mas entristeço com a possibilidade de ser falta de esperança. Hoje, o mais longe onde vou é à Paris, nos meus sonhos preferidos.
Sem dúvida, hoje, tenho mais paciência. Abstenho-me de situações e pessoas que me desagradam, mesmo que tenha que encará-las todos os dias.
Esqueço facilmente de rostos e nomes; dificilmente, de dores e amores.
Começo a acreditar que se não é possível viver um amor verdadeiro e transparente, é melhor ficar sozinha, do que me distrair com amores foscos. Não gosto de tocar o que não vejo.
O choro agora já não é iminente. É uma súplica por um sonho que me mova.
Isso tudo é maturidade?! Diga-me que não. Porque não sou capaz de suportar o resto da minha vida sem sonhar, sem dormir bem, sem falar e sem amar.
Sobreviver não me basta...
O vizinho continua com o som alto, penso em ligar para alguém ou para a polícia, quem sabe, mas desisto, por simples e pura preguiça. Minha cabeça ainda dói, mesmo após eu tomar um remédio e meu estômago me incomoda. Serão as borboletas dentro dele, que há tempo não se movem e também suplicam por um sonho?
Pobres borboletas...

amiga, to me identificando tanto c vc...não somos mais quem nós eramos...será q eh a fase??será q a gente tá ficando velha,é a idade??estranho né...
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