Quem sou eu

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Belo Horizonte, Minas Gerais, Brazil
Eu vivo entre asteróides. Nesses sei quem são os habitantes. Seus nomes e rostos. Sei de bons amigos e conhecidos. Inimigos eu não tenho, porque não me faz bem carregar o mau. Só aguardo o cometa mais próximo, para me levar até um conhecido que possa me desenhar um carneiro e me cativar.

27 de jul. de 2009

o meu conto de fadas

Quando eu tinha 8 anos, fiquei presa no portão da garagem do prédio onde morava, fato esse que não sei explicar como ocorreu. Sei que fui salva por um moço uniformizado que trabalhava no posto de gasolina em frente. Ele, heroicamente, atravessou a avenida e usou toda a força contrária para forçar o portão. Assim, fui solta e carregada pelo porteiro do prédio, também uniformizado, até meu apartamento, onde recebi todos os mimos de minha mãe e uma revistinha do Tio Patinhas, do meu pai.


Aos 11 anos, queria ser ufóloga e era capaz de ficar horas olhando para o céu, para encontrar um Ovni e algumas vezes eu os via. Sei que isso alimentou minha vontade de ingressar na profissão por mais dois anos.

Aos 15, fiz minha primeira tatuagem -um desenho que achei bonito em 15 minutos e não sabia o significado.

Aos 17, fiz minha segunda tatuagem -um desenho que achei bonito, mas que escolhi durante vários dias-e um ano depois, fiz a terceira. Neste mesmo ano, aos 18, comecei minha terceira série do segundo grau com desejo de ser arquiteta ou quem sabe, engenheira civil. Mas no meio do ano, optei pela área de Biológicas e decidi que iria tentar vestibular para Nutrição e Educação Física.
Como sempre tive uma paranóia de uma propaganda que inventei na minha cabeça, nesse mesmo ano, pensei que havia um dom para Publicidade e, como em Belo Horizonte o mercado é escasso, era melhor eu tentar em São Paulo.

No início do ano seguinte, eu estava na Nutrição, mesmo depois de ter feito matrícula na Faculdade de Publicidade e Propaganda, em São Paulo. Em 7 meses, larguei o curso. Metade da minha sala eram mulheres neuróticas com calorias. A outra metade, também. E decidi: vou fazer Medicina.

Entre meus 18 e 19 há um longo caminho, o qual não quero percorrer agora, logo vou pular para a véspera dos meus 20 anos. Para ser exata, 13 de julho de 2003. Data histórica para mim e que provavelmente só eu sei o por quê e, agora, qualquer cidadão que esteja disposto a ler esse texto.
Foi a data da famosa DUM, pois em agosto eu estava grávida. Também não vou explicar o que é a DUM, se houver um interessado, estou certa que o Google lhe dará a resposta em poucos segundos.

Assim, aos 19 eu me encontrava com um pequeno ser dentro de mim. Uma situação inesperada, assustadora e nada agradável. No início, você dorme demais, come demais e vomita demais; no final, você ainda come demais, respira de menos e dorme de menos, porque urina demais, durante a noite. E assim, com uma barriga pesada, mau humor pela noite mal dormida e fome constante vi meu desejo de ser médica ir embora junto com cada pinguinho de urina da madrugada.

Mas aos 20 anos, vivi a maior emoção da minha vida. No início do dia 2 de abril de 2004, eu comecei a sentir dores estranhas e imaginei que seriam as tais contrações, mas não comuniquei a ninguém, pois não queria fazer falso alarme. Aquela dor me incomodava e aumentava, mas eu imaginava que era meu filhote brincando de qualquer coisa dentro do útero, que deveria, então, estar esbarrando em qualquer outra parte de mim. No fim do dia, eu já sabia que aquela noite eu veria meu pequeno. Eu, que nunca havia segurado um bebê na vida.

Fui para o hospital na madrugada e fiquei aliviada de saber que realmente o parto ia ocorrer, mas de repente, fiquei assustada de COMO ele ia ocorrer. Até então, eu nunca tinha pensando nisso.

Tudo seguiu bem até que minha médica me entregou no colo aquele bebê tão pequeno, com gosminhas em sua volta, de olhinho fechadinho, com os cinco dedinhos em cada mão, no dia 3 de abril. Não tem como explicar. Era aquele serzinho que estava dentro de mim. E só o que eu pensava era "Meu filho, se você soubesse o que eu passei para você estar aqui.." . Mas ali, tudo tinha valido a pena. E ele abriu os olhinhos e foi quando percebi que ele só passou férias na minha barriga, durante os nove meses. Ele era a cara do pai. Mas como eram lindos aqueles olhinhos puxados e que olhavam para mim. Meu filho. Logo veio uma enfermeira e o tirou com a desculpa de limpar as gosminhas que eu disse não importar!! A cada dia aprendo mais coisas sobre meu filho e aprendo mais ainda com meu filho.

Meu filho é minha vida.

E ainda é a cara do pai.

Amei pouquíssimas vezes na vida, falo assim para não falar a quantidade. Seria expor as pessoas que sabem quem são. Todos eram Príncipes Encantados, que tempo depois mostraram-se piores que o Lobo Mau que, coitado, só sentia fome. E não convém falar qual tipo de pessoas eles se mostraram depois, exatamente por eles saberem quem são e porque dói lembrar. Mas confesso que se fantasiar de Príncipe é muita covardia, porque nós, mulheres, somos criadas com histórias de Contos de Fadas. A Princesa sentiu a ervilha embaixo de não sei quantos colchões e o Príncipe viu que ela era sua amada; o Príncipe da Cinderela procurou em todas as mulheres do Reino qual era a dona do sapatinho de cristal; o de Bela Adormecida lutou contra o dragão; o da Branca de Neve.... hum...esse não fez nada...ele só estava de passagem e deu o beijo para acordá-la. Fomos criadas assim e por pior que possamos parecer sempre estamos à procura do nosso príncipe. Os meus poucos amores pareciam príncipes e eu caí na fala do Narrador "And they lived hapilly ever after" ... Como acreditei..

Hoje, pouco sei. As únicas certezas que tenho são:

- Todos os heróis usam uniformes, mas nem sempre com capas voadoras. Dizem que ficam presas em turbinas de avião;
- OVNIs existem, os ETs são amigos e já sei o suficiente deles, para não querer mais me profissionalizar nisso;
-Parto normal não dói!!! O que dói -e muito -são as contrações antes do parto. Então relaxe, tenha seu bebê e não se preocupe com a episiotomia, a não ser que ela seja feita por um acadêmico;
- Meu filho é o mais lindo do mundo e isso é algo que você não deve discutir comigo;
- Consegui passar no vestibular de Medicina tendo meu filho, com 2 anos e 8 meses, sendo que havia ficado sem estudar quase dois anos. Mas com essa vitória, eu aprendi que nunca vou pensar que algo é impossível só porque sou mãe. Pelo contrário, meu filho é minha força, pois quando acordo todos os dias e vejo seu rostinho não há nada que me impeça de ir atrás de um sonho.
- Nunca acredite nas doces palavras de um moço que se mostra exatamente como um Príncipe -seu cabelo brilha ao Sol, sua voz é doce e hipnotizante e diz que você é a mulher por quem ele sempre procurou e sua pele é tão macia..- a verdade: ele fala isso para todas as donzelas do Reino, com objetivo de insuflar seu ego e mostrar para seus colegas príncipes e para seu papai como é capaz de conquistar quem quiser. O que ele quer ganhar? Um belo Cavalo Branco, para percorrer por todos os lugares e ser reconhecido onde for. O que ele realmente ganha? Não sou eu quem vai contar. Nem o Google;
- O que dizem é verdade. Tatuagem não sai, dói e vicia;
- A única solução para não sofrermos mais com os Príncipes: ignorar o Narrador. Porque nós sempre acreditamos que aquele à nossa frente pode ser um e eles sempre se mostram como um.
E quando o Narrador vê esse momento, já professa suas palavras "And they...". Nós acreditamos.

E o que eu quero?

Fazer uma nova tatuagem.

Ter mais filhos, que me dêem vários netos, que encham minha casa no Natal e acreditem em Papai Noel. E que meu filho mais gordinho surja no meio da noite com inúmeros presentes que eu comprei no shopping, pois ainda terei saúde para tal.

Que eu viva o suficiente, para ver meus bisnetos nascerem, mas não tanto, para ficar moribunda e viver com dor.

Que eu consiga formar, pois cada dia que passa é mais difícil permanecer ali.

Que eu me reúna com minhas três irmãs novamente, porque separadas, somos água, semente e terra, uma em cada lugar.

Que eu veja alegria no rosto da minha mãe.

E desejo, enfim, um lobo mau, porque ele não é mau, só tem fome -mau é o Pica-pau. Quem sabe se eu suprir o lobo com alimento, água, carinho e atenção, ele faça suas necessidades fisiológicas no lugar certo e durma ao meu lado, somente para me fazer companhia e esquentar o lado vazio da minha cama?

Onde está aquele caçador?!!

Eu sou amor. E meu amor é verdadeiro. Sempre.

Às vezes, é até melhor viver num Conto de Fadas.








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