Até então, minha cabeça fica ocupada por contas negativas, carro estragado, limpar a casa, dar carinho e ração para o Antônio Alfredo, viver o sexto período odioso e dar inúmeras aulas particulares. Meu coração fica ocupado em se manter firme, por perder um amor e por eu ter tão pouco tempo com meu filho.
Então passo um momento difícil, doloroso e, de repente, ocorre uma pausa, um branco (ou preto), uma ausência. E é nesse instante que descubro a verdade. Para mim, a verdade é maligna.

Segundo o Aurélio, maligno é:
1.propenso para o mau;mau, maléfico
2.pernicioso nocivo danoso
3.que atrai ou prognostica o mal ou a desgraça, funesto fatal
4.diz-se de mal que tende a piorar progressivamente e levar à morte
Enfim, a verdade É maligna.
Quando o fato acontece, eu e ela estamos cara a cara e a verdade é totalmente revelada e consigo engoli-la, mesmo com seus espinhos e qualquer outra estrutura afiada que essas coisas malignas têm. E a digestão é feita como uma água gelada depois de uma tarde inteira de sede e, no instante seguinte, eu me liberto.
De repente, fecho os olhos e percebo que não há mais nada em mim e, assim, uma nova pessoa surgiu. Melhor ou pior, não sei, mas que há mudança é inegável.
E ela é, segundo Camila:
1.propensa para o bem;
2.benéfica;
3.que atrai ou prognostica o bem, a graça e nos leva à vida;
4.é um bem que tende a melhorar progressivamente e levar ao êxtase, até que outra verdade seja revelada.
Porque o êxtase é um momento imaginário, com um cenário maravilhoso e marionetes altamente inteligentes para nos fazer acreditar que tudo é real.

E como já dizia uma sábia amiga de coração enorme, ainda bem que saudade não mata, só machuca.
E como machuca...

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