Quem sou eu

Minha foto
Belo Horizonte, Minas Gerais, Brazil
Eu vivo entre asteróides. Nesses sei quem são os habitantes. Seus nomes e rostos. Sei de bons amigos e conhecidos. Inimigos eu não tenho, porque não me faz bem carregar o mau. Só aguardo o cometa mais próximo, para me levar até um conhecido que possa me desenhar um carneiro e me cativar.

30 de dez. de 2011

O ano novo se aproxima

O ano novo se aproxima.

Próximo à meia noite, o mundo ao redor fica silencioso e só consigo enxergar as luzes coloridas no céu.
Os fogos parecem explodir em câmera lenta diante meus olhos, que lacrimejam com tamanha beleza.
Estou só daqueles que amo. O extase do momento visto se mistura com a saudade.
Sinto a lágrima correr pelo meu rosto.
As pessoas ao redor se abraçam e se beijam saudando o ano que chegou...ou comemorando aquele que passou?
De repente, ouço um som que me acalma...
A voz que me traz de volta ao mundo
São juras de amor eterno, cuidado, carinho
Fatos, cores, sons e sonhos...
Sonhos

Abro os olhos
O ano novo se aproxima

3 de nov. de 2011

Não tenho vergonha do que passou
Do amor que senti
Das palavras que dividi
Por mais que você nem lembre meu nome
Aqueles dias são parte de mim
E a minha história é feita, enfim...

27 de jun. de 2011

Como reaprender a voar
Se minhas asas foram arrancadas do corpo

As novas que emergem no lugar das antigas
Causam feridas dolorosas e faz com que meu corpo se contorça
E, de repente, de joelhos
Volto a pedir:
Pai, alivia minha dor
E me ensina de novo a voar...

26 de jun. de 2011

Me en-cante

E certo dia acordo
e percebo que tudo mudou
No mundo
E estive dormindo
Sonhando
e só desejo que alguém
Pare o mundo...

Para onde foram as pessoas que amava?
Por que todos tem pressa?
Como todos desconheceram o amor?

Por favor
Me cante uma canção de ninar
Que me coloque de volta no sonho
E não me acorde
Não me acorde
Não me acorde
Ou por favor
Pare o mundo...
Se eu escrever,  não me responda..
Porque se eu choro, sou eu quem enxugo minhas lágrimas...

Se eu ligar, não me atenda..
Porque se eu grito, são meus travesseiros que abafam minha voz...

Se eu desaparecer, não me procure...
Porque se eu sofro...
É porque você me deixou
Só...

8 de mar. de 2011

Conteúdo frágil

Sou o sorriso discreto no canto da boca

E as palavras que não se contêm em minha garganta

Sou os pêlos que se arrepiam ao desejo

E as lágrimas que não cabem no peito

Sou o corpo cansado de dias fatigados

E os sinais do tempo no rosto jovem

Sou o que você vê

E além...

Sou transparente


Sou uma caixa de emoções

Cuidado

Conteúdo frágil.

27 de fev. de 2011

Esses seus silêncios...

Morro de medo dos seus silêncios
Porque neles
Compreendo perfeitamente
Suas palavras
Quando você se for, eles se afogarão em copos de whisky ou rios de lágrimas?

12 de fev. de 2011

Que você me olhe, e eu me encante..
Que me toque, e eu me esqueça..
Que me ame, e eu me perca..
E você se despeça, 
E eu...
Tristeza

9 de fev. de 2011

Corações quebrados

Não sei ao certo como começou. Eu tinha por volta de 6 anos e me lembro da imagem de criança encolhida na cama da irmã, como quem estivesse sendo ameaçada. Ouviam-se gritos, choros, barulhos desconhecidos, um objeto sendo quebrado naquele quarto ao lado. Em vão, tentei chamá-los, abrir a porta, mas o que se passava ali não era para uma menina ver. Mas era para ouvir? De nada adiantava tapar os ouvidos.

De repente, meu pai saiu do quarto, num rompante, rumo à porta de casa, para algum lugar distante.  Eu corri em direção à minha mãe, que estava deitada na cama, com olhar perdido e lágrimas no rosto. Olhei para os lados à procura do objeto que havia sido quebrado e nada achei. Então, perguntei:
- Mãe, o que o papai quebrou?
E ela, sem nem imaginar que aquilo ficaria guardado na minha memória para sempre, disse:
-Meu coração, minha filha. Seu pai quebrou meu coração.

Eu, aos 6 anos, assustada, acuada e sem nem conhecer o amor descobri, então, que os corações foram feitos para ser quebrados.

7 de fev. de 2011

Fui empurrada de volta para o abismo. E não tenho asas para voar.

16 de jan. de 2011

Pesadelos

Tenho um coração enorme, que bate num peito vazio e num corpo só...
Uma carência fruto de uma infância cercada de tanto amor
Como apagar do coração as marcas de quem já foi tão amada...

Boa noite, durma com Deus, minha filha...
Sonhe com os anjos, irmãs...
Um quarto aconchegante, cama encostada na parede coberta de figurinhas,
Para não sentir um vazio nas costas...
O corredor, ali ao lado, caminho para o seguro...

Por vezes, gritos, palavras feias, neblina...
E eu tinha o colo das minhas outras mães
Num quarto pequeno, escuro, mas que era tão meu, quanto o outro...

Pesadelo no meio da noite...
Medo do que não existe,
Mas os braços de quentes abraços
Me afagavam os cabelos, até o medo dormir

Criança...
Cujo melhor amigo era um escritor de livros...
E bichos de pelúcia, companheiros de um mundo imaginário
Bonito, seguro, amado

Sinto falta das minhas pelúcias...
Do quarto escuro onde eu me sentia em casa...
E da inocência de acreditar numa amizade platônica
Do afago no meio do pesadelo...

O corredor continua perto...
Mas me leva para cômodos vazios e frios

Onde estão meus abraços...

Boa noite, amor...
Durma com Deus e sonhe com os anjos...

4 de jan. de 2011

Coração errante


Realmente encontrei o amor em você, com você... 
Eu o vivo em cada inspiração que dou, em cada piscada de olhos, em cada pulsar do coração.
Você povoa minha mente o dia todo, entre minhas tarefas, meus deveres, suavizando as dificuldades e colorindo o meu mundo. 
Quando meu coração está pesado por mágoas, tristezas, fecho os olhos e sinto seus braços me sustentando e tornando o caminho mais leve.
Fecho os olhos e vejo seu sorriso e o meu, de repente, se forma. 
Lembro dos seus olhos e lágrimas enchem os meus de tanto amor, que extravaza. 
Sou tão humana, tão pobre, errante e, frágil, sofro por ferir quem não merece. 
E quem merece? 
E, assim, perco seu sorriso e me perco nos labirintos que possuo em mim. 
A culpa me esmaga, leva meus olhos ao chão, para que eles não percam o caminho novamente. 
Como já dizia o poeta, nunca feri de propósito. Ai de mim. 
Desculpe essa boba apaixonada, que mal sabe amar, de tanto amar. 
Coração aqui bate forte, ligeiro, mas é fraco, porque não gosta de ficar só.
Desculpe essa boba apaixonada, que mal sabe amar, por tanto você amar.

3 de jan. de 2011

E viva os elefantes! (texto de 2007)

De acordo com minha irmã mais velha, sou uma borboleta feliz, ou melhor, uma lebre saltitante, que consegue enxergar a beleza nas coisas mais simples. Isso é brega, mas realmente sou assim...

De acordo com minha irmã do meio, sou estranha - o que ela não soube explicar exatamente - e sou uma sonhadora, que gostaria de ter nascido pelo menos 3 décadas antes do que nasci. Ela também está certa. Eu queria ter ido ao Woodstock e ter vivido a maravilha dos anos 60. Ah! Mary ainda revelou esses dias que me acha uma palhaça. Engraçado isso, porque meu humor é negro e irônico a maior parte do tempo e é ela quem me faz rir com um papo esquisito de pessoas mais afortunadas nos EUA.

Minha mãe me acha fria. O que só é correto se pensarmos que ser fria é conseguir deixar a razão superar a emoção em determinadas situações.

Meu pai me acha inteligente e passional demais. Não é à toa que ele e minha mãe não deram certo. Divergências... Não sou tão inteligente quanto acredito que ele acha, mas sou bem esforçada. E ele está correto, se ser passional é amar o máximo possível quando estiver amando e, ainda, acreditar que sempre podemos ser mais felizes e devemos lutar por isso.

Minhas amigas e amigos me chamam de Barbie e Mãe. Bem, eles não acertam muito ao me chamar de Barbie, pois não acredito no Ken e não sou tão fútil como a boneca parece ser. Ah! Também não tenho olhos azuis e uma cintura que dá para amarrar uma gominha de cabelo ao redor. Já Mãe, é totalmente compreensível de eu ser chamada, devido à minha real condição materna e ao fato de que tenho extrema preocupação com todos que me cercam. Se você faltar aula mais de 2 dias seguidos, certamente eu te ligarei ou te perguntarei quando você aparecer em sala. Caso você esteja triste, cabisbaixo, com certeza eu irei sentar ao seu lado e perguntar o que foi. Não sou invasiva. Isso não. Geralmente, sou bem recebida, pois tenho a rara habilidade de saber escutar. E, por qualquer razão do destino, as pessoas têm o costume de vir me pedir conselhos. Aviso que não tenho muito controle sobre minha própria vida e que minhas idéias são meio estranhas. Mas digo com todo o prazer e sinceridade o que realmente acho. Por isso, se você não quer escutar a verdade, não venha até a mãe Camila.

Minhas 2 grandes amigas concordam com minha irmã mais velha. Dizem que estou sempre com um sorriso no rosto, mesmo quando sabem que passo por uma situação difícil. Mas isso não quer dizer que escondo meus sentimentos, pois sou tranparente até demais. Isso significa que não me apego aos problemas e acredito que viver lamentando o que deu errado não traz solução alguma. 

Escrevi o que as pessoas que me cercam acham , porque elas estão corretas. Só sei que amo meu filho e grande parte daqueles que convivem comigo e tenho uma estranha admiração pela Lagoa da Pampulha e pelos primatas, como chimpanzés e gorilas. Esses animais têm a especial capacidade de provocar em mim sentimentos paradoxais. Acho que eles são maravilhosamente perfeitos, mas acredito que eles têm algo de triste no olhar, o que me causa uma angústia. Já refleti sobre o por quê da infelicidade deles e conclui que seria pela ignorância que Deus lhes proveu, comparados a seus irmãos mais próximos: nós. Porém, logo percebi que estava extremamente enganada. Eles são tristes por ver a nossa ignorância em administrar tão mal o mundo onde vivemos. 

É Manda...você sempre esteve certa. E, ainda, vejo que, além de uma lebre saltitante, sou uma gorila....

E Viva os Elefantes!

30 de out. de 2010

Meu presente ausente

Quem é você que me tira o sono
Me arranca o fôlego
Me invade a cabeça
E me arrepia a pele

Como ousa me tirar da solidão
Do seguro abrigo que criei
Num instante
Num olhar
Ah! Esses lindos olhos...


14 de mai. de 2010

Insônia
Angústia
Lamento o que perdi em mim
O que perdi de mim
Aquilo que sei
E o que não ouso descobrir

10 de mai. de 2010

Perdão, filho

Perdão, filho
Por não ter estado presente
Em cada machucado que doeu
Pelas lágrimas que causei
Como meu coração sofreu...

Perdão, filho
Pelos dias ausentes
Mesmo presente do lado seu
Pelos momentos de ira
Por um cansaço
que era só meu...

Perdão, filho
Por partir
Esse coraçãozinho seu
Amarei você
Além do meu fim
Mas, às vezes,
Não sei como agir
Diante do que é
A melhor parte de mim.

Perdão, filho.

10 de dez. de 2009

Velhos Natais (2007)

Outro dia estava indo buscar meu filho, quando passei por uma casa onde havia milhares de luzinhas de Natal (ou lilis de natal, como eu as chamava na infância). Além delas, havia vários bonecos de Papai Noel, renas e duendes. Eis que, então, tive um pensamento. Sempre achei que pessoas que amam montar árvores e que enfeitam a casa com incontáveis lilis são aquelas felizes demais ou têm filhos/netos demais. Pois quando você tem descendentes, faz questão de realizar todo o ritual: desenterrar do armário a árvore de natal, procurar a lampadazinha que está dando mal contato em todas as outras, colocar aqueles enfeites de 10 anos atrás junto com uns novos que ganhou numa promoção da loja de conveniência. Sim..nossos filhos adoram tudo isso e compensa perder algumas horas nesse processo. Afinal, para eles é ali que o Papai Noel vai deixar os presentes de Natal, na noite mágica. A regra é: quanto mais luzes, mais os olhos deles brilham. Então, você deixa suas janelas e sacada repleta de lâmpadas piscantes que chamam a atenção do outro quarteirão.

A outra hipótese, de pessoas felizes demais me parece mais remota, já que é difícil ser tão feliz assim nos dias de hoje. Veja: feliz o suficiente para deixar sua casa cerca de 2 meses com bonequinhos de neve em cada canto e conta de luz ligeiramente mais cara. Há aqueles que são tão alegres em sua vida que mudam a regra anterior: o número de lilis representa o tamanho da minha felicidade!! Ou, quem sabe, a quantidade de reais em minha conta bancária. É.. a felicidade é diretamente proporcional ao seu saldo bancário, com pouquíssimas exceções.
Bem, no fim, o que me veio à cabeça ao ficar olhando aquele carrossel de animais e Papai Noel inflável foi querer bater naquela porta e perguntar em qual das minhas 2 hipóteses eles se encaixavam. Porque se fosse na 1ª, é certo que a prole deles era imensa e eu ia sair dali satisfeita, sem achar minha vida banal. Afinal, se eles se encaixassem na 2ª, eu ia precisar saber do motivo de tamanha felicidade, porque minha conta bancária é vergonhosa, meu peso está acima do normal, a raiz do meu cabelo está enorme, meus relacionamentos são fracassados e meu carro está com problemas elétricos. Logo, eu imagino que eles teriam uma solução ou, ainda, iriam me mostrar os lados positivos em minha vida, pois pessoas alegres gostam de ajudar os outros. E, assim, eu iria embora dali com a esperança de que amanhã seria melhor.

Porém, como não tive tempo nem coragem de bater naquela porta que parecia a fábrica do bom velhinho, eu fui embora com a esperança de que, no Natal, Papai Noel deixe em minha árvore um bilhete: "Ano que vem será melhor!" E, dessa forma, minha casa será como aquela da esquina, mas sem o carrossel de renas... ele é exagerado demais...

Boas festas!!!

15 de ago. de 2009

Pobres borboletas...

É um sábado, quase meia-noite. Um vizinho realiza uma festa com luzes verdes e vermelhas e som altíssimo. Tudo isso em frente à varanda do meu quarto. Minha cabeça dói. Não só pelo som, que realmente é estrondoso e eu não entendo estar tão alto assim, mesmo depois do horário permitido. Acredito que fiquei muito ao Sol hoje cedo e estou com um choro iminente que recuso a liberar.

Resolvi não sair de casa esta noite, mas, de repente, sinto-me incomodada pela falta de companhia que me cerca. As coisas mudaram.

Poderia encontrar amigos e conversar a noite toda. Na verdade, perdi a vontade de falar. Falar é sempre relembrar. E algumas situações não devem ser nunca mais removidas de onde estão.

Já fui bem mais sonhadora. Alegro-me em pensar que isso possa ser maturidade, mas entristeço com a possibilidade de ser falta de esperança. Hoje, o mais longe onde vou é à Paris, nos meus sonhos preferidos.

Sem dúvida, hoje, tenho mais paciência. Abstenho-me de situações e pessoas que me desagradam, mesmo que tenha que encará-las todos os dias.

Esqueço facilmente de rostos e nomes; dificilmente, de dores e amores.

Começo a acreditar que se não é possível viver um amor verdadeiro e transparente, é melhor ficar sozinha, do que me distrair com amores foscos. Não gosto de tocar o que não vejo.

O choro agora já não é iminente. É uma súplica por um sonho que me mova.

Isso tudo é maturidade?! Diga-me que não. Porque não sou capaz de suportar o resto da minha vida sem sonhar, sem dormir bem, sem falar e sem amar.

Sobreviver não me basta...

O vizinho continua com o som alto, penso em ligar para alguém ou para a polícia, quem sabe, mas desisto, por simples e pura preguiça. Minha cabeça ainda dói, mesmo após eu tomar um remédio e meu estômago me incomoda. Serão as borboletas dentro dele, que há tempo não se movem e também suplicam por um sonho?

Pobres borboletas...

As perdas são assim...

Perdemos nossa casa e, então, ficamos sem saber em que posição e que lado da cama dormir, onde colocar a escova de dentes, guardar as velhas lembranças, com quem conversar... A casa nova parece uma estranha, em quem você não confia. Barulhos desconhecidos, vizinhos novos e, quase sempre, tão chatos quanto os antigos. A vaga da garagem não parece nem um pouco acolhedora e, muito menos, o síndico do prédio. E a saudade bate forte, quando deitamos na mesma cama velha, na moradia nova...

Perdemos o carro e não sabemos quantos quilômetros por litro o emprestado faz, quantas libras para calibrar os pneus, quanto da embreagem liberar sem que o carro morra. Não sabemos se podemos comer, beber e carona dar naquele automóvel que nem é seu, mas que uma criatura caridosa lhe emprestou. E sempre sentimos falta daquele velhinho mesmo, rodado, sujinho, com brinquedos espalhados por todos os cantos, com porta-luvas estragado, que sempre abre quando passamos num buraco. Aquele que nos acompanhou nos momentos mais tristes e levou para os lugares mais bonitos e inesquecíveis...

Perdemos o contato com aquele parente distante, que não vemos há anos e, assim, esquecemos do seu olhar, seu cheiro e ficamos com o peito apertado por não saber como o seu sorriso está (e se há sorriso). A dor de amar alguém distante parece ingrata, como se fosse tão fácil alcançá-los, mas não nos é permitido...

Perdemos parentes e amigos para a morte, perda dolorosa... Que nos faz sentir aquele velho nó na garganta, uma vontade de chorar a qualquer hora, em qualquer lugar e, então, ficamos sem rumo, sem sonhos, sem ânimo.. o luto nos acompanha em cada esquina, parece nos consumir toda a energia e a tristeza fica escancarada no rosto bege e inconsolável...

Perdemos família... e questionamos se um dia uma nova irá se formar. Aquela, agora, existe incompleta e sempre haverá de ser. Agora, novas se formam, com pessoas estranhas, mas que devemos acolher seja por respeito, gostar ou suportar. Parecem intrusos que só querem destruir nossas esperanças ou nossas boas lembranças... e assim eles o fazem...

Perdemos amigos.. aqueles que acreditávamos ser tão leais, mas nos abandonam quando deles mais precisamos. Amigos ingratos, superficiais e covardes. Então, cada novo parece nos trazer a amarga dúvida da confiança, para quem contar, com quem chorar. Sorrir junto é fácil...

As pessoas mudam com as horas... a vida, com os minutos... Por isso, às vezes, é difícil suportar e aceitar cada mudança. Elas são repentinas, passam por nós como furacões, sem pedir licença, por favor ou dizer adeus. E, assim, devemos viver com escudos, armaduras e elmos, para que a cada nova experiência o coração tenha tempo de se resguardar do que machuca e ocorre aqui fora...

7 de ago. de 2009

Home Sweet Mess

Depois de dias sem escrever, volto ao meu Blog, para agradecer novamente tanto apoio e crítica (!) e prestar esclarecimento aos meus queridos 5 leitores, sobre minha ausência.



Após uma tranquila viagem de volta, na serena poltrona 17, cheguei em Belo Horizonte e fiquei transtornada (sem exageros).

Minha irmã trouxe-me em casa sem grandes tragédias, até eu perceber que ela não havia calibrado os pneus do meu carro, assim como eu pedi, com todo o carinho e doçura de irmã mais nova que possuo, por natureza. Segundo ela, por natureza, irmãs mais velhas têm ocupações demais para se preocupar com os carros das outras que, portanto, à distância, devem arrumar um modo telepático, acredito eu, de calibrar o pneu que insiste em esvaziar.

Assim, subi para meu apartamento, feliz por ter chegado em casa, que sempre é bom, até lembrar de uma frase que criei na última longa viagem que fiz - Home Sweet Mess-.

Não que minha casa seja uma bagunça, mas chegar após um período de tempo prolongado é sempre conflituoso. É como se ela descontasse em mim toda a carência que sentiu o tempo em que fiquei fora. Ora! Quem sou eu para deixar aquela cama desocupada e sem as pipocas espalhadas que me fazem cosquinha, na hora de dormir?! E sem regar as plantas?! Que criatura maléfica sou eu ! E a cozinha, então?!!! Odeia-me mais do que qualquer outro cômodo, pois ficar sem esquentar o fogão ou dar à toneira o prazer de sentir a águinha gelada passar pelos seus tubos é muita maldade.

Ficar sem abrir a geladeira por 15 dias... Ah! É.. Um pânico!! Um desespero!! Sempre sai algo dali que me envenena pela semana seguinte, não por alimentação, claro, mas pelo simples olfato ou visão. Porque abrir a porta daquele simples eletrodoméstico depois de dias de ausência, mesmo tendo deixado ali apenas os alimentos que eu acreditava que não iam estragar, é sempre um dano à camada de ozônio ou aos meus olhos. Sempre fica aquela latinha de ervilha aberta que esqueço atrás do pote da margarina light e não vi, porque saí com pressa, pelo motivo já explicitado no texto "A Poltrona 43". E o continente e conteúdo foram tomados por uma devastadora camada de microorganismos que, provavelmente, sei o nome, mas não quis pensar e só quis eliminar, urgentemente, da minha querida geladeira. Depois de retirar o nocivo de casa, colocar a roupa suja para lavar e perceber que não tinha limpa para usar, precisei pensar numa estratégia para retirar meu carro da garagem, pois meu macaco não funciona e meu pneu, definitivamente, não rodava naquele estado.

Minha irmã mais velha esqueceu que as pessoas de seu cargo devem honrar com certas obrigações, como emprestar o carro para as caçulas quando não calibram o pneu destas, mas rapidamente foi lembrada e convencida desse mandamento de irmandade. Com isso, saí de casa satisfeita por poder rodar pelo bairro novamente até perceber que houve um assassinato nele. E dos trágicos, com muito sangue e lágrima. Antes da minha viagem, havia uma placa a poucos quateirões do meu prédio: "Revitalização da Praça José Cavallini" e então, volto de viagem e percebo que não há placa e, sim, um outdoor daqueles iluminados, a la Stephen King: "Assassinato da Praça José Cavallini".

Onde foi parar a praça?!!! Eu pergunto à BH Trans: Onde foi parar a Praça? Porque depois de dias circulando por ali, percebi que ainda há uma mini placa com o escrito da suposta revitalização. Além de nos empregar inúmeras multas absurdas por dia, ainda derrubam a pequena praça do meu bairro?! Onde estaciono todos os dias para comprar o pão na padaria, pagar as contas na Loteria e alugar 4 filmes e pagar 3, na locadora?!! Onde paro o carro agora?! E onde mais verei o célebre busto de José Cavallini?! Faça-me o favor!

Incrível como em quinze dias, uma prestadora de serviços milionária, que trabalha para a prefeitura, pode destruir uma praça e a única lembrança que tenho de um homem que nem sei quem foi, mas estava ali, todos os dias.

Na verdade, não interessa contar como terminou a história do carro, porque até hoje não acabou. Minha roda do step ainda está com o borracheiro -acredito eu-, pois não tive tempo de passar lá essa semana.

Biel voltou de viagem um pouco mais enegrecido, pelos raios UV da praia e de uma forma maravilhosa que só meus olhos vêem e lindo, como acredito que todos os outros com bons gostos vêem.

Mas confesso que voltar para casa é conflituoso. É bom estar em minha cidade e saber andar por aqui -menos nos cruzamentos que criaram no lugar da praça- e ter um supermercado diversificado e com biscoitos que não têm nome de mulher e leites nomes de fazenda. Porém, estar em Belo Horizonte é relembrar da conta do telefone que chega logo no início do mês; da geladeira que, após da eliminação, encontra-se totalmente privada de qualquer alimento; é olhar para a poeira acumulada do chão e não poder ignorá-la e, enfim, é perceber que o Brasil está submerso na paranóia suína que a Globo criou!!

Nova função do Jornal Nacional: contagem de mortos. O que importa é criar pânico! E o país é liderado por uma pessoa tão culta e que sabe o valor da educação, que seu Ministério da Saúde sugere que as Escolas, Universidades e Pagou-Entrou adiem as aulas, para evitarmos transmissão do vírus. Para onde podemos ir, pergunto eu, uma cidadã sem praça. Para o bar, claro. Ou, então, para o cinema, shoppings, clubes, exposição no interior. Será que o Presidente acredita que vamos ficar em casa contando, junto com o casal maravilha, o número de mortos?! Não, obrigada. Eu prefiro o calor de me aglomerar com as pessoas em todos esses locais em que fico muito mais exposta à transmissão e não aprendo nada, a não ser o endereço do bar mais barato, o novo pulo na piscina da criançada, a nova música de sucesso que toca na rádio que eu nunca escuto. Mas, colega Lula, vamos combinar, acabou o kindergarden e as férias também, se Dona Marisa ainda não lhe informou. Deixe que o povo estude, pelo menos enquanto há escola para-quase todos. Na Faculdade, certamente, correrei riscos, mas, inacreditavelmente falando, já deu, né?! Porque engolir o slogan: "Pare a Educação! O resto, deixe! " É demais... Há pessoas que gostam de estudar nesse país. E o povo agradece... com C e não Ç.

No mais, é isso. Termino aqui outro texto gigante em que a maioria dos leitores fica pela metade, feliz por ter escrito e ansiosa pelos resultados dos meus exames de amanhã, que indicarão se tenho uma doença grave ou não. :) Sem suínos no meio.

Obs.: E ninguém lembra mais do Michael Jackson. Ele morreu do quê, afinal?!

30 de jul. de 2009

A viagem de volta

Hoje não escreverei textos longos, apesar de que tive idéias para tais. Mas a preguiça e o frio me impedem de fazê-lo, nesse momento.


Queria agradecer as pessoas que estão me apoiando na criação do Blog, dando dicas, criticando e me acompanhando. Eu estava com a impressão de que escrevia e ninguém lia. Porém, se paro para pensar, escrevo, na verdade, desabafos e suspiros.


Amigos são aqueles que me escutam. E quando lêem o que escrevo, sem dúvida, estão ouvindo o que eu disse e ficou armazenado aqui. Obrigada por isso.


Fico muito emocionada em saber que tenho amigos e verdadeiros! Porque com tanta falta de respeito e maldade à nossa volta, às vezes, é até difícil identificá-los.



Um beijo carinhoso.




Volto amanhã cedo para Belo Horizonte. Mais feliz e com o dobro de bagagem que vim. É sempre assim, quando volto da casa da minha mãe.


Irei mais cedo ainda, para a Rodoviária de São João del Rei, comprar a passagem, com esperança de comprar uma que não seja a da poltrona 43. E que assim seja!


29 de jul. de 2009

A poltrona 43

Foi uma viagem atrasada por diversas razões. Eu tinha esperança de partir no ônibus de oito e meia da manhã, mas minha cama me impediu de realizar tal proeza. Assim, perdi o das onze horas também, pois ainda não tinha arrumado malas, nem conseguido falar com minha amiga que iria ficar com Antônio Alfredo, enquanto eu estivesse fora. O ônibus seguinte partiria ao meio dia e meia, o que eu acho aterrorizante, já que só de imaginar o Sol emitindo todos seus raios alfa, beta e não sei mais qual, por aquelas janelas e fluindo entre tantas pessoas e minhas narinas, tenho sensação de desmaio imediato.

Nesse intervalo de tempo, pude arrumar minha mala com os itens essenciais para uma viagem à casa de minha mãe: meu ipod, livros, minha escova de dentes, poucas roupas e meus remédios, claro. Porque todo o resto usufruo da casa, que já possui todos os produtos para higiene pessoal. Isso ocuparia grande parte da minha mala. Além disso, como não saio de casa, fico de pijama o dia inteiro e não preciso de roupas finas, se é que as tenho. É tudo uma maravilha. Minha mala é leve, a viagem é rápida e eu não preciso arrumar a casa. Estou no paraíso.

Então, consigo me contactar com minha amiga que adotará Alfredinho por uns dias (ela tem essa intimidade por assim chamá-lo) e combino de deixá-lo com seus mimos e ração, logo em pouco tempo. Certamente, eu viajaria no ônibus de três da tarde. Porém, meu cão me seguia ansiosamente pela sala, como se percebesse que eu iria me ausentar. Era nossa primeira separação. Eu não podia ir ao banheiro, que lá estava ele, cabisbaixo; eu lavava a louça acumulada há alguns dias, por causa do frio-quase-nevante-de-BH, e lá estava ele, embaixo da pia, com o olhar distante. Não consegui deixá-lo naquele momento e decidi passar a tarde com meu filhote inter-espécie: Antônio Alfredo. Peguei sua coleira n.1 do Pluto, que já estava empacotada com suas coisas e pus em torno daquela criaturinha tão doce e tão pequenina.

Após o passeio, percebi que tinha perdido a hora para a lotação seguinte, a de 16:45. Mas não me importei. O passeio foi bom, pude ficar mais tempo com Alfredinho e deixá-lo na casa da minha amiga. Como foi dolorosa a despedida... Meu pequeno bebê (nossos filhos, mesmo os inter-espécie serão sempre bebês aos nossos olhos) dormia fora de casa, pela primeira vez.

E restou o último ônibus do dia. 19:00.
Cheguei à Rodoviária de Belo Horizonte às 18:58, para ser exata, e o guichê onde compro a passagem tinha sido mudado de lugar devido a obras. Quando encontrei o novo cubículo onde tristes pessoas trabalham, fui informada que compraria diretamente no ônibus. Corri escadaria abaixo, uma cena maravilhosa de se ver!
Milhares de pessoas que moram no interior e estudam/trabalham na capital e toda sexta voltam para casa e, se não pegarem o último ônibus de sexta, devem permanecer ilhados nessa cidade, sem a comida da mãe, as brigas dos irmãos e as festinhas nos postinhos.

Lá estava eu, quase rolando escadaria e vejo a porta do ônibus se fechando. Aqueles rapazes que trabalham nas Viações adoram esse tipo de passageiro, não é verdade? Aquele que chega atrasado, com mala que deve ser colocada no bagageiro de baixo e ainda não comprou passagem. Bom humor reina solto!

Fui informada de que poderia entrar, escolher a poltrona que quisesse e pagaria lá dentro. Sentei-me numa de número primo, pois sempre assim o faço, e na janela. Abaixei a poltrona, pus os dois fones do meu ipod no ouvido, mesmo sabendo que só um deles funciona e aguardei o rapaz, para eu pagar a passagem e ficar livre, para olhar pela janela.

Quando ele se aproxima, eu já estava com o dinheiro na mão, tirei o fone que não funciona do ouvido, para demonstrar respeito, mas ele falou algo comigo. Então, tive que tirar o fone que funciona e ouvir o que o bom rapaz tinha a dizer: eu não poderia ficar naquela poltrona, que já havia sido vendida e poderia escolher outra.
-Qualquer outra? Na janela?- pergunto com os olhos brilhando.
Ele olha para o papelzinho em sua mão, para conferir as cadeiras disponíveis e eu, refletindo sobre quais cadeiras de número primo e na janela tinham restado.
-Não!-responde ele, malignamente, que eu percebi. -Só restou a 43.
E me apontou o dedo em direção ao fundo ônibus. Não podia ser tão ruim. Era um número primo.

Não achei que haveria problema, apesar de ter percebido um ar de maldade naquele rapaz. Peguei minha bolsa e fui caminhando em direção à poltrona 43. Nesses segundos, podemos olhar a cara de cada passageiro e, caso alguma tragédia aconteça e você sobreviva, você poderá dizer aos jornais: "Ah.. mas ela era uma senhora tão bonita, a da poltrona 22." ou então "É uma pena! O rapaz viajou na terceira fileira à minha frente, na poltrona do corredor, e permaneceu quieto o tempo todo. Pobre rapaz." Pode parecer bobagem, mas qualquer informação é válida, para quem perdeu alguém que ama. É como se eles estivessem conosco, por mais alguns segundos e quem os viu e não os conhecia, os carrega para sempre.

Achei a poltrona 43, após ter passado por um rapaz que usava máscara no rosto, para proteção da Gripe Suína. A viagem seria interessante. Até eu ver quem eram os meus dois vizinhos de poltronas, ao Sudoeste. Eram dois jovens que não têm noção do volume do som de um celular que toca música e acreditam, com sua ingenuidade, que todos gostam de funk. Lá estava eu, na poltrona 43 e tentava empurrá-la para trás e não conseguia. Pensei que poderia ser porque ela era bem em frente ao banheiro, mas quando percebi era por falta de orientação do jovem, que não havia percebido que tinha bagageiro para bagagem de mão, na parte de cima e colocou sua maletinha atrás de minha poltrona. Tudo foi resolvido e eu poderia colocar meus fones de volta no ouvido e esperar o rapaz, para eu pagar a passagem e olhar pela janela.

O rapaz chegou, eu paguei a passagem e ainda dei dinheiro exato, para ver se fazíamos as pazes, porque acredito que ele criou essa antipatia comigo no momento em que cheguei atrasada. É comum. Minha dentista resolveu meus problemas bucais em três dias, com 25 minutos por dia, pois nos dois dias de avaliação cheguei meia hora atrasada e ouvi ásperas palavras sobre minha falta de pontualidade. E ásperas palavras de um dentista não é bom sinal. Voltando ao ônibus, pensei que tudo estava certo naquele momento e quando pude, finalmente olhar pela janela, tive a leve sensação de que não havia mais nada a ser resolvido. Era só escutar minhas músicas selecionadas, olhar pela janela, enxergar o nada e chegar na casa da minha mãe.

Já viajei esse percurso, com essa Viação, nesse horário, diversas vezes, nunca nessa poltrona, confesso. Mas nunca passei por nada igual. A cada 15 minutos o ônibus parava em meio à escuridão da BR e as luzes que estavam apagadas eram acendidas todas as vezes. O motorista visualizava novos passageiros em cada poste, placa de sinalização e parecia querer nos acordar, para certificar que não eram visões.

Os jovens rapazes ao meu lado dormiram prontamente. Dei um sorriso sozinha, nesse momento. Sabia da bondade deles. O mau estava ao meu Oeste. Eram os dois funcionários da Viação, sendo um deles aquele rapaz, a quem vou chamar de Q., e que parecia me encarar com aqueles olhos malignos a viagem inteira. Como meu fone estragado me permite escutar a convesa alheia, caso esta seja numa altura elevada, começou uma parte sombria do meu pesadelo. Os rapazes começaram a discutir sobre férias vencidas e a reclamar sobre a empresa na qual trabalhavam e em cujo ônibus eu viajava. Depois surgiu uma conversa assustadora sobre futebol e esposas aborrecidas. A altura foi suficiente para meu fone funcionante perder sua potência. Eles queriam me atingir.
Além disso, ao Noroeste de minha poltrona, havia uma moça com um mp4, desses de última geração, que acendia uma luz mais forte que uma lâmpada de 200 watts, cada vez que ela trocava uma música. Falo desse tipo de lâmpada, pois não sei especificar outra. Física nunca me agradou. Mas era uma coisa impressionante! Ela ainda tentava ofuscar a luz, mexendo no seu aparelho, dentro de sua mochila, mas aquela luz não conhece esses limites e a moça, coitada, era ignorante, pois abria toda a parte grande da mochila Company, para trocar de música no seu mp4 brilhante. Aquela luz ofuscava minha vista e não me permitia sequer olhar através da janela e por pouco não me fez levantar da poltrona e gentilmente ensinar a moça a trocar as músicas, sem ter que iluminar todo o ônibus.

O ônibus parou.

Fui incapaz de descer. Estava submersa num pesadelo verdadeiro do qual precisava sair em 15 minutos, para suportar as 2 horas restantes de viagem. Acalmei-me.

E pensei.. lembrei.. chorei...

Porque quando ocorrem eventos como esse, temos vontade de gritar, ligar para alguém e gritar socorro e ouvir que tudo está bem, que vai passar rápido. Como é bom compartilhar... E que saudade senti. E quando comecei a me lembrar de eventos ruins que a saudade também me lembrava e, assim, secar minhas lágrimas, surgiu um sujeito de blusa azul vindo em minha direção e entrou no banheiro do ônibus.
Pus-me a pensar o que leva uma pessoa, que está em uma parada, que vai durar ainda uns 10 minutos, a utilizar o sanitário da lotação?! E meu pensamento foi cortado por um cheiro que adentrou em cada célula de meu corpo e, corre o risco, de ter feito uma mutação séria ali. Não falo de cheiros provenientes do banheiro. Isso não. Falo do cheiro que ele deixou no corredor ao percorrê-lo. Estou certa que, assim como Amélie Poulain tinha o pequeno prazer de mergulhar suas mãos em sacos de grãos, o rapaz da blusa azul gosta de mergulhar suas mãos e braços em panelas de gordura. Ele exalava gordura e estava claro que aquilo não era proveniente de coxinhas ou pastéis fritos. Só poderia ser um pequeno prazer dele que, aproveitava para entrar escondido na lanchonete, enquanto a atendente estava ocupada com todos na parada e mergulhava sua mão na panela. E é claro! Por isso ele não poderia lavar suas mãos e braços no banheiro da parada! Desejo nunca mais encontrar uma pessoa com esse pequeno prazer.

Quando estávamos prestes a sair dali, o Q. chegou para sentar na sua poltrona e perguntei se agora não haveria lugares vagos mais adiante no ônibus. Ele olhou seu papel novamente e repetiu com a mesma sonoridade maligna o "Não!". Nesse momento, pensei que devia estar pagando meus pecados e comecei a chorar. Pois diante de uma fase tão difícil de vida, eu queria somente chegar intacta na casa da minha mãe, para domir 20 horas por dia e nas horas restantes, chorar pelas dores que tenho (dizem que assim resolve) e arrumar maneiras de sorrir. E conversei com Deus e se Ele assim queria que eu passasse as duas horas restantes, assim seria.

Não é que a moça do mp4 desceu na parada?! E assim não foi mais vista e nem sua luz ofuscante! Em seu lugar, um velho senhor, com uma caixa de sapatos embrulhada num saco plástico, na mão. Confesso ter sentido medo daquele embrulho. Parecia que ele carregava ali, um frango assado ou qualquer item alimentício, que ele poderia desembrulhar a qualquer hora. E, dessa forma, não pude olhar pela janela e não enxergar nada. Eu só conseguia imaginar o que teria dentro daquela caixa de sapatos embrulhada na sacola plástica e que o senhor carregava com tanto apreço.

Estranhos eventos aconteceram durante essa viagem. O motorista então, passou a parar a cada 5 quilometros, para deixar passageiros em lugar algum. Eram matos altos, sem luz, sem casas ou qualquer habitação próxima. E a luz do ônibus era acendida, todas as vezes, como se fosse para nós olharmos bem para a cara de cada passageiro que descia.

E assim foi até uma cidadezinha, onde a caixa de sapatos embrulhada no saco plástico desceu junto com o senhor. Eu poderia descansar, enfim. Mas o que acontece é que com essas paradas iluminadas, as pessoas que dormem, acordam, e foi o que ocorreu com um dos rapazes que dormia a meu Sudoeste que, então, apossou-se do lugar do senhor da caixa. Por mim, não tinha problema algum, até ver sua mão indo em direção ao painel da poltrona. Assim, ele acendeu a luz, que numa nova versão da Viação, parece uma lanterna e era posicionada diretamente para à minha poltrona, no caso.
Nem sequer um telefonema para minha saudade aliviaria minha tensão naquele momento. E não bastasse isso, ele a desligava e ligava constantemente, porque seu mp3 não possuía a mesma luz da nossa querida moça lá de trás e ele precisava de iluminação, para escolher suas músicas. E eu, para uma saída dali.
Eu estava no inferno.

Depois de 74 paradas para buscar e deixar pessoas, cachorros, sacolas e comidas, minha paciência estava esgotada e me senti como uma psicopata, meus olhos tremiam, minha mão estava gelada, meu coração palpitava. Se houvesse mais uma parada, em algum lugar estranho, para algum moço de boné do Collor e bolsa da Petrobrás descer, eu saíria gritando pelo ônibus! E ele parou. Abri a cortina, para analisar friamente, onde seria meu surto e
vi o purgatório: Coronel Xavier Chaves. Cidade vizinha do meu destino.

Sentei, pois já estava em posição de ataque, respirei profundamente, concluindo que em poucos minutos chegaria e indagando se contaria essa situação para meu analista ou deixaria passar... ora.. foram apenas pequenas desavenças entre mim e o resto dos passageiros...

Cheguei na Rodoviária do meu destino e não conseguia descer. E nem precisava, na verdade, ninguém me esperava lá, cutucando insistentemente, no vidro do ônibus. Esperei todos descerem. Tirei meus fones do ouvido, percebi que não ouvi uma música sequer. Peguei minha bolsa e levantei. Do corredor, em frente à poltrona, eu entendi toda a história.

Não foi o Q. que me odiou e conversava sobre assuntos tenebrosos, para me perturbar; nem a menina do mp4 que queria me cegar; nem o moço da blusa azul que queria mutar meu código genético, com seus pequenos prazeres; nem o senhor da caixa de sapato embrulhada com plástico que queria perturbar meus pensamentos; nem o rapaz da lanterna que queria me irritar com o ligar/desligar da lâmpada; e muito menos os passageiros estranhos que desciam em lugares estranhos, só para eu ficar questionando onde é que eles viviam, de onde vinham, quem eram.
A culpada estava ali na minha frente: A POLTRONA 43.
Que me enganou por ser um número primo e me fez ter a paranoia de ser perseguida por todos do ônibus.
Ah...se eu soubesse desde o princípio a maldade que ronda por volta dessa poltrona, teria sentado em uma de número ímpar. É sempre a minha segunda opção, após não ter uma de número primo.
Ah... se eu soubesse...

28 de jul. de 2009

A verdade

Acho que quando passo por períodos difíceis me aflora o lado pensativo.
Até então, minha cabeça fica ocupada por contas negativas, carro estragado, limpar a casa, dar carinho e ração para o Antônio Alfredo, viver o sexto período odioso e dar inúmeras aulas particulares. Meu coração fica ocupado em se manter firme, por perder um amor e por eu ter tão pouco tempo com meu filho.

Então passo um momento difícil, doloroso e, de repente, ocorre uma pausa, um branco (ou preto), uma ausência. E é nesse instante que descubro a verdade. Para mim, a verdade é maligna.


Segundo o Aurélio, maligno é:

1.propenso para o mau;mau, maléfico

2.pernicioso nocivo danoso

3.que atrai ou prognostica o mal ou a desgraça, funesto fatal

4.diz-se de mal que tende a piorar progressivamente e levar à morte

Enfim, a verdade É maligna.

Quando o fato acontece, eu e ela estamos cara a cara e a verdade é totalmente revelada e consigo engoli-la, mesmo com seus espinhos e qualquer outra estrutura afiada que essas coisas malignas têm. E a digestão é feita como uma água gelada depois de uma tarde inteira de sede e, no instante seguinte, eu me liberto.

De repente, fecho os olhos e percebo que não há mais nada em mim e, assim, uma nova pessoa surgiu. Melhor ou pior, não sei, mas que há mudança é inegável.

E ela é, segundo Camila:

1.propensa para o bem;

2.benéfica;

3.que atrai ou prognostica o bem, a graça e nos leva à vida;

4.é um bem que tende a melhorar progressivamente e levar ao êxtase, até que outra verdade seja revelada.

Porque o êxtase é um momento imaginário, com um cenário maravilhoso e marionetes altamente inteligentes para nos fazer acreditar que tudo é real.



E como já dizia uma sábia amiga de coração enorme, ainda bem que saudade não mata, só machuca.

E como machuca...


Texto de primeiro de maio de 2007. Restaurado e publicado!

Bem...sou mãe, um pouco ausente, não porque eu queira, mas sou totalmente dedicada e apaixonada pelo meu filho..


Leio sempre o jornal do dia anterior, durante o café, pois não tive tempo de lê-lo ontem e porque quando acordo, o do dia ainda não chegou. Acostumei com isso e sinto falta quando o jornal de ontem, por qualquer razão do destino, não está na mesa do café. Pulo a parte de política, que, além de me entediar, causa-me repulsa e decepção. Leio a parte internacional e a parte policial. Não que eu goste de sofrer, mas sempre é bom saber até onde o ser humano é capaz. Até estupro de um bebê de 3 a 4 semanas já li. Leio a parte de cultura e os horários do cinema e os filmes que estrearam, mesmo sabendo que não os irei assistir. Só calculo quanto tempo terei que esperar para poder alugá-los e, caso algum esteja em várias salas de cinema em vários horários, sei que valerá a pena pagar uma fortuna na locadora para pegá-lo assim que lá chegar. Ou não. Harry Potter não me agrada.

Começo o meu dia assim. Conhecedora de todos os crimes os quais não acreditava ser possível e paciente por esperar aquela estréia sair do cinema e abrir caminho para as locadoras.

No carro,escuto um pouco de música para tentar distrair minha mente das obras que me fazem acordar meia hora antes, pois deixam o trânsito caótico. E já começo a imaginar onde encontrarei uma vaga, onde quer que eu vá e quantas voltas terei que dar para achá-la.
Assisto à aula, com sono e olhando constantemente as horas, para poder sair rápido e ficar meia hora a mais com meu filho.

Engulo o almoço, sem saber exatamente o que comi, somente com a certeza de que não é carne.

Levo meu filho para escola, só para vê-lo choramingar a minha ausência quando o deixo na porta.

Isso me faz perceber o quanto nos amamos e o quanto sentimos falta um do outro...

Volto para a faculdade. Durante o resto do dia, alguns eventos matinais se repetem, só que com mais sono e sempre com um pensamento na cabeça: nada.

Porque se eu paro para pensar em tudo o que ocorre em minha vida, nas horas que deixo de ficar com meu filho, nas calorias que ingeri, no quanto de gasolina eu gasto, no barulho esquisito que meu carro faz, na luz laranja que acendeu no painel, se estou descabelada, se tomei meu remédio, se vai dar tempo para assistir um pouco de TV, em quanto tempo falta para eu formar, na dor no ombro e na cabeça, no golpe de kung fu que custo a aprender, no quanto tenho que estudar e, finalmente, se o jornal de hoje vai estar na mesa de café de amanhã, EU PARO de fazer tudo.

E, parada, eu não consigo ficar.
O melhor é acordar, ler o jornal, comer meu cereal, escovar meus dentes, pegar meu chicletes e ligar o carro...
Bem..

Talvez eu deva pensar sobre a luz laranja que insiste em acender no painel...


Observação: Quando escrevi esse texto, eu ainda tinha a alegria de poder almoçar com meu filho e levá-lo à escola. Hoje, não leio mais o jornal de ontem, nem sequer o de hoje. Se o mundo for acabar amanhã, por favor, avise-me. Obrigada.

novos textos antigos




ainda não tive tempo de passar os meus textos antigos para cá, pois o blog não aceita o copiar e colar, uma vez que meus textos estão armazenados no computador. Logo, tenho que copiá-los todos de novo.


amanhã, mais textos.


me pergunto se falo só

27 de jul. de 2009

o meu conto de fadas

Quando eu tinha 8 anos, fiquei presa no portão da garagem do prédio onde morava, fato esse que não sei explicar como ocorreu. Sei que fui salva por um moço uniformizado que trabalhava no posto de gasolina em frente. Ele, heroicamente, atravessou a avenida e usou toda a força contrária para forçar o portão. Assim, fui solta e carregada pelo porteiro do prédio, também uniformizado, até meu apartamento, onde recebi todos os mimos de minha mãe e uma revistinha do Tio Patinhas, do meu pai.


Aos 11 anos, queria ser ufóloga e era capaz de ficar horas olhando para o céu, para encontrar um Ovni e algumas vezes eu os via. Sei que isso alimentou minha vontade de ingressar na profissão por mais dois anos.

Aos 15, fiz minha primeira tatuagem -um desenho que achei bonito em 15 minutos e não sabia o significado.

Aos 17, fiz minha segunda tatuagem -um desenho que achei bonito, mas que escolhi durante vários dias-e um ano depois, fiz a terceira. Neste mesmo ano, aos 18, comecei minha terceira série do segundo grau com desejo de ser arquiteta ou quem sabe, engenheira civil. Mas no meio do ano, optei pela área de Biológicas e decidi que iria tentar vestibular para Nutrição e Educação Física.
Como sempre tive uma paranóia de uma propaganda que inventei na minha cabeça, nesse mesmo ano, pensei que havia um dom para Publicidade e, como em Belo Horizonte o mercado é escasso, era melhor eu tentar em São Paulo.

No início do ano seguinte, eu estava na Nutrição, mesmo depois de ter feito matrícula na Faculdade de Publicidade e Propaganda, em São Paulo. Em 7 meses, larguei o curso. Metade da minha sala eram mulheres neuróticas com calorias. A outra metade, também. E decidi: vou fazer Medicina.

Entre meus 18 e 19 há um longo caminho, o qual não quero percorrer agora, logo vou pular para a véspera dos meus 20 anos. Para ser exata, 13 de julho de 2003. Data histórica para mim e que provavelmente só eu sei o por quê e, agora, qualquer cidadão que esteja disposto a ler esse texto.
Foi a data da famosa DUM, pois em agosto eu estava grávida. Também não vou explicar o que é a DUM, se houver um interessado, estou certa que o Google lhe dará a resposta em poucos segundos.

Assim, aos 19 eu me encontrava com um pequeno ser dentro de mim. Uma situação inesperada, assustadora e nada agradável. No início, você dorme demais, come demais e vomita demais; no final, você ainda come demais, respira de menos e dorme de menos, porque urina demais, durante a noite. E assim, com uma barriga pesada, mau humor pela noite mal dormida e fome constante vi meu desejo de ser médica ir embora junto com cada pinguinho de urina da madrugada.

Mas aos 20 anos, vivi a maior emoção da minha vida. No início do dia 2 de abril de 2004, eu comecei a sentir dores estranhas e imaginei que seriam as tais contrações, mas não comuniquei a ninguém, pois não queria fazer falso alarme. Aquela dor me incomodava e aumentava, mas eu imaginava que era meu filhote brincando de qualquer coisa dentro do útero, que deveria, então, estar esbarrando em qualquer outra parte de mim. No fim do dia, eu já sabia que aquela noite eu veria meu pequeno. Eu, que nunca havia segurado um bebê na vida.

Fui para o hospital na madrugada e fiquei aliviada de saber que realmente o parto ia ocorrer, mas de repente, fiquei assustada de COMO ele ia ocorrer. Até então, eu nunca tinha pensando nisso.

Tudo seguiu bem até que minha médica me entregou no colo aquele bebê tão pequeno, com gosminhas em sua volta, de olhinho fechadinho, com os cinco dedinhos em cada mão, no dia 3 de abril. Não tem como explicar. Era aquele serzinho que estava dentro de mim. E só o que eu pensava era "Meu filho, se você soubesse o que eu passei para você estar aqui.." . Mas ali, tudo tinha valido a pena. E ele abriu os olhinhos e foi quando percebi que ele só passou férias na minha barriga, durante os nove meses. Ele era a cara do pai. Mas como eram lindos aqueles olhinhos puxados e que olhavam para mim. Meu filho. Logo veio uma enfermeira e o tirou com a desculpa de limpar as gosminhas que eu disse não importar!! A cada dia aprendo mais coisas sobre meu filho e aprendo mais ainda com meu filho.

Meu filho é minha vida.

E ainda é a cara do pai.

Amei pouquíssimas vezes na vida, falo assim para não falar a quantidade. Seria expor as pessoas que sabem quem são. Todos eram Príncipes Encantados, que tempo depois mostraram-se piores que o Lobo Mau que, coitado, só sentia fome. E não convém falar qual tipo de pessoas eles se mostraram depois, exatamente por eles saberem quem são e porque dói lembrar. Mas confesso que se fantasiar de Príncipe é muita covardia, porque nós, mulheres, somos criadas com histórias de Contos de Fadas. A Princesa sentiu a ervilha embaixo de não sei quantos colchões e o Príncipe viu que ela era sua amada; o Príncipe da Cinderela procurou em todas as mulheres do Reino qual era a dona do sapatinho de cristal; o de Bela Adormecida lutou contra o dragão; o da Branca de Neve.... hum...esse não fez nada...ele só estava de passagem e deu o beijo para acordá-la. Fomos criadas assim e por pior que possamos parecer sempre estamos à procura do nosso príncipe. Os meus poucos amores pareciam príncipes e eu caí na fala do Narrador "And they lived hapilly ever after" ... Como acreditei..

Hoje, pouco sei. As únicas certezas que tenho são:

- Todos os heróis usam uniformes, mas nem sempre com capas voadoras. Dizem que ficam presas em turbinas de avião;
- OVNIs existem, os ETs são amigos e já sei o suficiente deles, para não querer mais me profissionalizar nisso;
-Parto normal não dói!!! O que dói -e muito -são as contrações antes do parto. Então relaxe, tenha seu bebê e não se preocupe com a episiotomia, a não ser que ela seja feita por um acadêmico;
- Meu filho é o mais lindo do mundo e isso é algo que você não deve discutir comigo;
- Consegui passar no vestibular de Medicina tendo meu filho, com 2 anos e 8 meses, sendo que havia ficado sem estudar quase dois anos. Mas com essa vitória, eu aprendi que nunca vou pensar que algo é impossível só porque sou mãe. Pelo contrário, meu filho é minha força, pois quando acordo todos os dias e vejo seu rostinho não há nada que me impeça de ir atrás de um sonho.
- Nunca acredite nas doces palavras de um moço que se mostra exatamente como um Príncipe -seu cabelo brilha ao Sol, sua voz é doce e hipnotizante e diz que você é a mulher por quem ele sempre procurou e sua pele é tão macia..- a verdade: ele fala isso para todas as donzelas do Reino, com objetivo de insuflar seu ego e mostrar para seus colegas príncipes e para seu papai como é capaz de conquistar quem quiser. O que ele quer ganhar? Um belo Cavalo Branco, para percorrer por todos os lugares e ser reconhecido onde for. O que ele realmente ganha? Não sou eu quem vai contar. Nem o Google;
- O que dizem é verdade. Tatuagem não sai, dói e vicia;
- A única solução para não sofrermos mais com os Príncipes: ignorar o Narrador. Porque nós sempre acreditamos que aquele à nossa frente pode ser um e eles sempre se mostram como um.
E quando o Narrador vê esse momento, já professa suas palavras "And they...". Nós acreditamos.

E o que eu quero?

Fazer uma nova tatuagem.

Ter mais filhos, que me dêem vários netos, que encham minha casa no Natal e acreditem em Papai Noel. E que meu filho mais gordinho surja no meio da noite com inúmeros presentes que eu comprei no shopping, pois ainda terei saúde para tal.

Que eu viva o suficiente, para ver meus bisnetos nascerem, mas não tanto, para ficar moribunda e viver com dor.

Que eu consiga formar, pois cada dia que passa é mais difícil permanecer ali.

Que eu me reúna com minhas três irmãs novamente, porque separadas, somos água, semente e terra, uma em cada lugar.

Que eu veja alegria no rosto da minha mãe.

E desejo, enfim, um lobo mau, porque ele não é mau, só tem fome -mau é o Pica-pau. Quem sabe se eu suprir o lobo com alimento, água, carinho e atenção, ele faça suas necessidades fisiológicas no lugar certo e durma ao meu lado, somente para me fazer companhia e esquentar o lado vazio da minha cama?

Onde está aquele caçador?!!

Eu sou amor. E meu amor é verdadeiro. Sempre.

Às vezes, é até melhor viver num Conto de Fadas.








-